Surdo que fez redação nota mil no ENEM passa em 1º lugar, mas deixa cursos por falta de acessibilidade

Na PUC-Rio e na UFRJ, Bernardo Lucas Piñon de Manfredi não pôde acompanhar as aulas por não haver quem fizesse leitura labial. Ele sonha em se formar em história ou filosofia

07/11/2017

Bernardo Lucas Piñon de Manfredi, de 20 anos, tem surdez severa bilateral (nos dois ouvidos) e foi um dos 77 alunos que tiraram nota mil na redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2016. Ele foi aprovado em 2º lugar na PUC-Rio, no curso de filosofia, e em 1º lugar em história na UFRJ. Mas, em nenhuma delas, teve os recursos necessários para acompanhar as aulas. Precisou interromper os cursos e prestar novamente o Enem neste ano.

Gabarito extraoficial e resolução comentada

Justamente por se sentir excluído no ambiente universitário, Bernardo comemorou que a redação do exame tenha como tema a formação dos surdos. Novamente prestando o Enem, ele pôde descrever no texto – com a experiência pessoal acumulada – como o sistema educacional está promovendo a exclusão.

“O tema da redação realmente me comoveu. Me comoveu porque finalmente vi que eu existia. Existia ali o surdo. Eu sempre me senti excluído por ter a minha deficiência. Mas pegar uma redação com este tema realmente foi uma grande oportunidade. Oportunidade de levantar a voz do silêncio e mostrar que a surdez pode nos levar para além das fronteiras” – Bernardo Manfredi.

(Fonte: https://www.educamaisbrasil.com.br/educacao/enem/surdo-que-fez-redacao-nota-mil-no-enem-passa-em-1-lugar-mas-deixa-cursos-por-falta-de-acessibilidade, data de acesso 10/11/2017)

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